Burnout: o que é e como prevenir?

Por: Pedro Ferreira - Outubro 10, 2022

Burnout: o que é e como prevenir?

Nos últimos anos, a rápida progressão tecnológica, as crises económicas sucessivas e muito recentemente a crise de saúde causada mundialmente pela pandemia da Covid-19 afectaram as configurações do mercado e das relações de trabalho na maioria das organizações. Muitas pessoas ficaram expostas ao risco do desemprego e muitas das que permanecem empregadas observaram uma série de mudanças na sua forma de trabalho que, em muitos casos, em nada se iguala ao modelo anterior de trabalho, exigindo do trabalhador cada vez mais flexibilidade, concentração e maiores habilidades de adaptação, ao mesmo tempo que o expõe a um maior risco de burnout. Dai a importância de saber o que é, o que envolve e como prevenir.

Em alguns casos, é possível encontrar um único funcionário a ocupar uma posição de trabalho que até pouco tempo atrás era exercida por duas, três ou mais pessoas, elevando assim os níveis de stress e a pressão para executar as suas funções de forma correcta e também manter o seu emprego. Esse stress constante, o excesso e a imprevisibilidade do emprego, assim como a preocupação em demasia trazem riscos para a saúde que podem resultar no fenómeno conhecido como burnout.

O que é o burnout e o que está na sua génese?

O burnout, também chamado de Síndrome do Esgotamento Profissional, é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, stress e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade. A causa principal do burnout é, entre outras, o excesso de trabalho. Sendo, portanto, o síndrome do Esgotamento Profissional muito comum em profissionais que actuam diariamente sob pressão e com responsabilidades constantes; entre eles, os empreendedores, funcionários executivos e pessoas em posição de chefia ou subalternos que procuram trazer ou a quem lhe são exigidos resultados. O esgotamento também pode acontecer quando uma pessoa planeia ou busca objectivos de trabalho muito difíceis ou em situações em que a pessoa considere, por algum motivo, não ter capacidades suficientes para os cumprir.

O burnout tem um impacto considerável na saúde física e mental dos funcionários e na produtividade no local de trabalho, sendo, por isso, necessário procurar apoio profissional logo após o surgimento dos primeiros sintomas.

Sinais de alerta do síndrome de esgotamento profissional

Em ambientes de trabalho cada vez mais exigentes e de alta pressão, os funcionários muitas vezes tornam se os amortecedores, sofrendo com a pressão organizacional e trabalhando mais horas. Nesses casos, torna-se de elevada importância reconhecer os primeiros sinais de alerta de burnout. Muitos profissionais relatam casos de extrema exaustão, irritabilidade, incompletude e um sentimento de desvalorização, no entanto, são muitos os indicadores e as manifestações precoces de burnout. Abaixo pode encontrar alguns dos sinais que apontam para um esgotamento:

Sinais emocionais e mentais: Cansaço, irritabilidade, distração, depressão, indecisão, pouca concentração e incompetência.

Sinais físicos: Dores musculares, dores no corpo, dores de cabeça, aumento ou redução do apetite, alteração de peso e náuseas.

Sinais comportamentais no local de trabalho: Chegar regularmente atrasado; absentismo; metas, aspirações e comprometimento reduzidos; apatia; mau tratamento pelos seus pars; dificuldades de relacionamento; comportamento obstrutivo e não cooperativo.

Embora o síndrome do esgotamento profissional se manifeste de forma única para cada indivíduo, ele pode ser detectado e evitado, estando atento aos sinais e sabendo como prevenir. Muitas pessoas acabam por negligenciar a situação sem saber que algo mais sério pode estar a acontecer. É necessária preocupação sempre que se notar que um funcionário poderá estar em condições em que o trabalho ultrapasse os seus limites ou esteja sob pressão de várias exigências. A sensação de recompensa insuficiente, falta de reconhecimento pelo trabalho realizado, falta de apoio do gestor ou da equipa, o desequilíbrio entre o esforço e a recompensa são outros factores que induzem ao esgotamento.

Estratégias para prevenir o desgaste dos colaboradores

O ambiente de trabalho e o interesse da empresa são essenciais para manter a motivação dos colaboradores em alta. Empresas que não conseguem ter uma estrutura razoável e nem prover um ambiente agradável de trabalho acabam tendo uma alta rotatividade de funcionários. É importante que os gestores consigam passar uma imagem de segurança para os colaboradores. As pessoas precisam de trabalhar com a maior tranquilidade possível e ter mais motivação para crescer dentro do negócio e ficar por mais anos na mesma empresa. Para prevenir o risco de burnout no local de trabalho e proporcionar bem-estar aos funcionários, as empresas precisam de satisfazer no mínimo quatro dimensões: satisfação no trabalho; respeito organizacional; cuidados do empregador e a integração trabalho-vida.

5 dicas que ajudam a prevenir o burnout

Equilibrar as tarefas

Depois de entregar um trabalho altamente exigente, pode ser benéfico mudar para uma tarefa menos complexa. Saber como prevenir o burnout pode passar por alternar entre tarefas de dificuldade variada diariamente, semanalmente ou mensalmente pode ser uma excelente forma de recuperar o equilíbrio e fazer uma pausa.

Pausas físcicas e mentais

É importante fazer pausas e distrair-se um pouco do foco principal do trabalho nos momentos de intervalo. Ter um tempo de pausa é crucial para o bem-estar do funcionário e, em última análise, beneficiará o seu desempenho. Aprender a reconhecer os momentos em que se está mais estressado ou ansioso pode ajudar a fazer as pausas necessárias para a recuperação, tanto do corpo como da mente.

Dar objectivos claros à equipa

É importante certificar-se que os funcionários se sentem ouvidos e notados pela gerência. Isso, de certa forma, contribui para que o trabalho, por mais desafiador que seja, não se torne ameaçador, uma vez que se estabelece pontes para o diálogo, para uma colaboração eficaz e para melhor orientação em busca dos objectivos ou das metas almejadas. Pensar fora da caixa, não ter medo de falhar e procurar por novas soluções deve ser encorajado e incentivado para tornar os profissionais cada vez mais independentes.

Definir limites de trabalho

Haverá momentos em que trabalhar fora do horário normal pode ser necessário, mas ainda é necessário concordar com as expectativas típicas de um dia de trabalho. Por exemplo, atender chamadas de trabalho ou consultar e-mails regularmente no fim da noite ou no fim de semana pode aumentar a ansiedade dos funcionários e a sensação de nunca sair do trabalho. É necessário estabelecer limites, trabalhar com flexibilidade e fornecer mais tempo livre para poder restaurar o equilíbrio entre a vida profissional e a pessoal.

Aumentar o envolvimento dos funcionários

Melhorar o envolvimento que a equipa sente com o seu local de trabalho e os colegas de trabalho pode aumentar a satisfação no trabalho e reduzir o stress. A comunidade é essencial para que um profissional se sinta apoiado e integrado na organização. Embora as pessoas não possam escolher com quem trabalham, pode-se investir tempo e energia no fortalecimento dos laços que partilham com os colegas. O moral positivo do grupo, pode tornar a equipa mais robusta e reduzir a probabilidade de esgotamento. Para além disso, um senso de justiça no trabalho pode ajudar o funcionário a sentir-se valorizado e reconhecido pelas contribuições que faz.

Como visto, pode-se dizer que o síndrome do Esgotamento Profissional é causado por uma sujeição contínua ao stress em decorrência do trabalho. Identificar os primeiros sinais de alerta, ter uma liderança positiva e políticas protectivas e proactivas pode evitar ou reduzir o esgotamento. A implementação de práticas eficazes de bem-estar no local de trabalho também é um caminho recomendado para reduzir os riscos de burnout. Para que sejam mesmo eficazes, devem estar ao nível organizacional, reduzindo o stress no trabalho, promovendo o bem-estar dos funcionários e aumentando o envolvimento dos funcionários. Uma cultura de trabalho equilibrada promove um ambiente de trabalho positivo e uma mentalidade de crescimento.

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